Onde há força e onde há fraqueza
Brasília — O presidente do PMDB, Sr Ulysses Guimarães, atingiu o ponto crítico do processo de abertura. Quando ele afirma que o Governo é forte com os fracos e fraco com os fortes, ele está denunciando muita coisa. Politicamente, ele denuncia o permanente controle do processo de abertura que escapa à inspiração do Presidente e do seu Governo. Ninguém ignora que foi intenção do Governo, manifestada por Ministros de Estado, e dirigentes partidários, abrir a campanha eleitoral por intermédio dos veículos de comunicação de massa. Alguns candidatos a governador, como o Sr Roberto Magalhães, de Pernambuco, e o Sr Eliseu Resende, de Minas Gerais, não escondem que a manutenção da Lei Falcão os prejudica, pois lhes rouba a oportunidade de ir a um debate que se supõem nas condições melhores de travar. Ambos enfrentam candidatos postos em cena há três ou quatro anos e ambos somente ascenderam à situação atual há poucos meses e se julgam preparados para disputar, na televisão, a preferência da opinião pública.
Com raras exceções, os políticos aspiram à normalidade da campanha eleitoral que, num país das dimensões do nosso, não ocorre com as limitações da lei deliberadamente adotada no Governo Geisel para conter ou reduzir a cadeia de comunicação entre a Oposição e a opinião pública. O Ministro Leitão de Abreu, com sutileza, distinguiu entre essencialidade e utilidade, para firmar a tese de que revogar a Lei Falcão pode ser útil e conveniente, mas não é essencial, desde que já se realizaram eleições com ela. A utilidade da liberação dos canais de comunicação de massa é incontestável e o Ministro prudentemente não a negou. Mas há uma realidade que se superpõe ao juízo do Governo e dos políticos. É a realidade do sistema, que continua a definir o que pode ser feito e o que não pode ser feito em matéria de abertura.
Quando aparece algo que não se explica, a explicação se torna óbvia. A questão está colocada sob o signo da segurança nacional e o sistema, que não confia no Partido nem no restabelecimento da credibilidade do Governo junto ao eleitorado, não pretende correr o risco de uma campanha no correr da qual quatro Partidos da Oposição se revezariam nos canais de televisão para criticar o regime e o Governo e para mobilizar o povo na base das notórias dificuldades que ainda não puderam ser vencidas. A Lei Falcão não será mudada não porque falte tempo ou porque não interesse a esse ou àquele segmento do Partido governamental. A manutenção de uma campanha sob controle é decisão da área de segurança. Logo, é irremovível. Como diz o Sr Ulysses Guimarães, o Governo é forte com os fracos, mas continua fraco com os fortes.
O ponto fraco
Se esse foi o ponto forte da mensagem da Oposição, reunida em Brasília com seus candidatos a governador, o ponto fraco está no fato de ter sido prudentemente descartado o compromisso dos candidatos de permanecerem no Partido depois das eleições, surjam ou não novos Partidos. Ora, esse compromisso não pode ser tomado, pois há entre diversos candidatos a consciência da precariedade do atual quadro político-partidário. A tese de que o PMDB é um Partido e não uma frente é uma tese de campanha. Ela não corresponde à realidade. Basta encarar a composição do Partido no Rio de Janeiro para entender que se trata de uma articulação de emergência visando a eleger representantes de determinadas correntes.
São adequadas as suposições de que o Senador Alberto Silva, eleito ou não Governador do Piauí, restaurará sua fidelidade ao sistema, que lhe deu todas as oportunidades políticas. O Sr Gilberto Mestrinho não tem vínculos, senão os eleitorais, com o PMDB. E o Senador Tancredo Neves, que já evoluiu por fora do sistema oposicionista, num Partido alternativo, é um político aberto à composição e ao diálogo. É da sua índole e pode estar aí uma grande oportunidade para o seu próprio Partido. Dificilmente todos os governadores que o PMDB eleger permanecerão sob essa legenda, simplesmente porque as razões que mantêm a frente ampla poderão desaparecer velozmente na próxima etapa política.
Eliseu otimista
O Sr Eliseu Resende, candidato do PDS a Governador de Minas, que cobriu todo o espaço publicitário de Belo Horizonte, acha que sua vitória está matematicamente decidida. Unificado o Partido, tomadas todas as decisões nas questões que permaneceram longamente indefinidas, agora tudo é questão de aplicação e trabalho. Os dados postos na mesa induzem à sua vitória.
O voto de Hermano
O ex-Deputado Hermano Alves, cassado, não se candidatou, fazendo sua opção definitiva pelo jornalismo. Politicamente, só tem uma decisão: votar para deputado em José Gomes Talarico.
Carlos Castello Branco |